01 outubro 2012


Para refletir: o Shame, a Vogue e a Generalização

Este post vai ser um pouco diferente do que costuma ser escrito aqui no DM. Já pensei várias vezes em fazer estes posts mais reflexivos, mas acabo escrevendo algumas linhas e desistindo! Eu li taaaanta coisa hoje que fiquei com vontade de escrever.

Primeiro tópico: Shame. Sim, eu entro lá de vez em quando. Concordo com alguns posts e com outros nem tanto. Os comentários quase nunca leio porque tem algumas pessoas que são tão agressivas que me deixam mal. Acho que deveria haver uma moderação melhor nos comentários, já que muitos não acrescentam em nada e se resumem em xingamentos que realmente parecem coisa de gente mal amada (tipo: a fulana tem cara de pobre, a ciclana é gorda, a beltrana tem cabelo ruim e por aí vai). É impressionante como, no anonimato, as pessoas ficam hostis, já perceberam??? Mas, acho que, de maneira geral, o Shame tem um propósito bastante válido. Em alguns textos e postagens são feitos comentários muito bons, como no post de hoje, falando sobre a matéria que saiu na Vogue (coloquei a matéria no final do texto, caso tenham interesse em ler).

Segundo tópico: a matéria na Vogue. O que eu queria falar (isso na minha visão como leitora de blogs, ok?), é o seguinte: não concordo com vários pontos que foram colocados. Por que? Porque não gosto de generalizações. Existem muitos blogs para os quais este texto da Vogue é extremamente válido (trazem postagens ruins e sem conteúdo) e existem muitas blogueiras que realmente acham que são o centro do universo, mega narcisistas e só estão preocupadas em ganhar seus jabázinhos e seus patrocínios no final do mês. Mas existem muitos blogs bons, com conteúdo e que NÃO são apenas diários de consumo e de exibicionismo. O problema da matéria é que ela não diferencia Blog de Moda de Blog de Compras/Consumo. Moda não é apenas consumo. É arte, cultura, é saber expressar sua personalidade através de uma roupa. E tem gente que traduz isso muito bem no seu espaço online. O que eu quero dizer é que existem vários "Blogs de Moda" que não têm como foco apenas o incentivo ao consumo; muitos deles trazem inúmeras dicas e ideias que ajudam muito no nosso dia a dia. Prova disso é o Um Ano sem Zara (eu adoro), que mostrou muito post e look bacana um ano todo e SEM compras. Tem vários outros blogs que eu colocaria nessa listinha de "Valem a Pena", mas isso é assunto para outro post rs!

O que vocês acham? Concordam? Ou acham que as blogueiras são o mal do século rsrsr???

Beijos!!!


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"Coisa de três anos atrás, mulher que falasse só de sapato e bolsa era "it chata". Hoje os blogs de sucesso de moda falam de quê? Sapato e bolsa. Aí me pergunto: como esse tipo de conversa superficial - e viciante como cigarro e álcool - ganhou sinal verde a ponto de transformar em fashion stars meninas que passam seus dias (e às vezes noites) postando monotematicamente sobre o que estão vestindo ou gostariam de vestir?

Torturada por essa questão, fui parar no sofá do meu amigo lacaniano Jorge Forbes. E concluí com a ajuda dele que as blogueiras de moda constituem hoje, quem diria, um fenômeno de contracultutra, de resistência ao individualismo - a maior e mais agregadora tendência de comportamento contemporânea. Explico: as leitoras dos blogs querem ser como suas autoras, comprando as mesmas roupas e montando o mesmo look do dia. Depois de décadas sendo doutrinadas de que bom senso mesmo é ser diferente, buscam a semelhança para construir suas próprias identidades.

Outra conclusão importante é de que as fashion bloggers são fruto do casamento da dona revolução digital com nosso bom e velho Narciso. E dele posso falar: sou melhor amiga! Narciso não é um apaixonado por ele mesmo. É alguém muito carente. E vivemos em uma sociedade de relações líquidas, com vínculos pobres, que produz gente com necessidade tóxica de atençãoTomar emprestado o valor de objetos que falam por si (love logos, anyone?) faz com que se sintam reconhecidas, inclusasGritar para o mundo o que fazem e como fazem valida essa mecânica hiperconsumista. E, quanto mais plateia, mais gratificadas elas se sentem.

Que fique claro: não tenho nada contra blogs per se. E amo sapato e bolsa. Mas só isso e pulseirismos? Será que precisa ser tudo tão vazio? 'Blogs de moda são wannabe por excelência - wannabe lovedwannabe famous', filosofa Luiz Felipe Pondé. A categoria não deve, entretanto, ser pensada com indignação, como se fosse a Geni do novo milênio. 'Tudo isso é um diagnóstico que atesta como a gente é mesmo banal hoje em dia. Vaidade em latim é vanitas, que é vão, vazio', completa.

Há coisa de um mês, muitos foram ao delírio com o bas-fond - inclusive eu - dos consumidores que denunciaram para o Conar, órgão regulamentador da publicidade, três blogueiras de moda que supostamente publicaram posts pagos, falando bem de uma determinada marca de beleza, tratados como se fossem conteúdo meramente editorial. Publicidade travestida de notícia sem advertência é propaganda enganosa, crime contra o consumidor - e isso, no wayEm jornalismo é antiético precificar opinião, uma vez que sua base é justamente a isenção de comprometimento. São regras tradicionais, que existem desde os tempos de Gutenberg e que precisam mesmo de guardiões de ambos os lados do balcão.

Como profissional bipolar - jornalista e publicitária - entendo que vestir uma roupa x, um sapato y, tirar foto na frente do espelho e postar em social media com os devidos créditos não é jornalismo. É fenômeno de uma nova era, com novas linguagens, valores e ferramentas, construidos em torno de um meio, a web, ainda sem regulamentação. Dada a brecha, há quem misture as bolas e comercialize o que deveria ser apenas uma opinião pessoal. E dá dinheiro. Tem quem pague. Tem quem dê audiência. Tem que goste. E quem odeie.

Não importa de que lado você esteja, entretanto, esse é um movimento impossível de barrar. Porque, tesarac!todo mundo vai ter de se reinventar. A palavra, quase cabalística, foi inventada por um poeta, Shel Silverstein, para rotular algo avassalador que faz você perder o chão, que deixa as coisas esvaziadas de sentido. Para ele, o tesarac foi a morte da filha. Nós, publicitários, usamos a palavra para ilustrar o colapso do jornalismo e da propaganda diante da nova realidade - ainda não consolada - da web. Crimes reais no mundo virtual, hiperconsumismo, copy + pasteoverload de informação vazia... Mas há também muita coisa boa surgindo: novas profissões, conexões, voz ativa da sociedade. Como lidar com tudo isso? quem faz conteúdo pode começar lendo Neruda, que ensina: 'Escrever é fácil. Começa com maiúscula e termina com ponto. É só colocar ideias no meio.'"

Matéria de Chris Mello
7 Comentários

7 comentários:

Bia Galvão disse...

Má, acho a matéria da Vogue valida, mas com todas as ponderações q vc fez, Pq generalizar não dá! Mas como tb sou publicitaria entendo o ponto de vista! O q me espanta é q a Vogue tb age de forma especial com determinadas it blogueiras( que não necessariamente tem conteúdo) e pats de primeiro escalão monetário! Ou seja uma contradição grande ai.
Já curti a Shame, mas eu enchi faz tempo, tem seu papel, mas perdeu a mão, e tb suas comentaristas! Virou tão vazio qto ao q ela aponta como vazio. Adorei o post!
Bjsssss

IDFashion disse...

Acesso o Shame também e concordo com alguns posts e com outros não... mas gosto é gosto né, temos que respeitar. Mas concordo que alguns comentarios são agressivos!

Sobre a materia, eu acho que hj em dia tem muito blog e sinceramente uns bem ruim..por isso outros pagam por isso, acabou virando modinha... mas são poucos os que realmente valem a pena ver...

Beijooos

Anônimo disse...

O problema desses blogs sobre os quais a materia fala sao as leitoras, que ficam dando ibope para quem nao vale a Pena. Tb acho q tem muito blog bom. Eu gosto do GE, do Fashionismo, do Starving... Sao otimos e as autoras nao sao mega aferadas

Adorei o post!

Bjs,

Elaine

Helena Camargo disse...

Eu li o post do Shame e todos os comentarios. Pra mim, essa materia da Vogue eh para reforçar uma competição que existe entre midia impressa e midia online. Acho que a midia impressa perdeu espaço com essa explosao dos blogs e agora quer passar a ideia de que nenhum blog presta, só a Vogue.

Beijos

Anônimo disse...

Discordo de alguns pontos da revista, mas concordo muito com a parte do individualismo. Parece que hoje em dia todo mundo quer ser igual as blogueiras famosas mesmo. Vc anda por aí e ve todas as meninas vestidas praticamente iguais. Acho que isso é pior no Brasil porque quando viajo nao vejo muito disso. Acho que, tipo na Europa, as pessoas querem ser reconhecidas por serem diferentes e não iguais... Talvez tenham um personalidade melhor formada nesse assunto, sei lá... Acho que falta maturidade para a consumidora de moda brasileira e isso fica pior com os blogs.

Gostei do post viu?

Beijos, Paula

Anônimo disse...

queria saber desde quando a Vogue virou revista filosófica rs

Silvia disse...

Ma! Faça mais postes assim! Adorei e concordo com vc :) Beijoca

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